Quando chegamos ao Palácio da Liberdade pra fazer estas fotos, o funcionário que iria nos acompanhar perguntou se ainda estávamos esperando pela modelo. Acostumada a esse tipo de reação, expliquei que a modelo era eu mesma. E lá fui eu posar para fotos num palácio, com a maior postura de princesa. Eu, uma pessoa comum, ou melhor, um tipo exótico (como eu costumava ouvir na adolescência), cabelos curtos, pernas finas, olhos grandes, olheiras, nariz comprido, sorriso imperfeito. Mas majestosa, com minha tiara de brilhantes, meu vestido de seda plissado, minha sapatilha de bailarina e um lápis esfumaçado ao redor dos meus enormes olhos – que já foram comparados a desenhos de mangá.
Durante as sessões de fotos para o Prêmio Hoje Vou Assim Novos Fotógrafos, já aconteceu várias vezes de eu pegar pessoas me olhando e ler nos olhos delas a pergunta: “Quem, diabos, essa mulher pensa que é?” E a resposta está aí mesmo: eu penso. Penso que gosto da imagem que eu imprimo na vida, seja ela estática ou em movimento. Gosto de ser quem sou, das histórias que vivi, do meu olhar para as coisas e de escrever sobre elas. Gosto desse jeito absurdo de acreditar na vida e nas pessoas. Gosto das coisas bonitas. Gosto de olhar para o espelho todos os dias e escolher cores, tecidos e formas para me acompanhar nas próximas horas. Gosto de parir ideias simples e lindas para vestir, sentir e ser. Gosto de sorrir e dar gargalhada. E de me rodear de almas claras e bonitas (como a Luiza) pra fazer essa viagem comigo – até porque são elas que me ajudam a tornar mais leve a bagagem.
Penso que é desse jeito leve que eu gosto de levar a vida.
Penso também a quantos lugares já me levou essa minha desfaçatez em fazer pose de modelo. Com esse carão que eu faço há quase quatro anos, cá estou eu seguindo dia a dia, sempre na companhia breve de uma câmera, para depois registrar aquele dia que passou – exatamente para que ele não passe.
E assim os dias que passam são os dias que ficam.
E quando alguém me lança um olhar ou uma frase tentando dizer que eu não sou lá essas coisas, tenho um truque: eu simplesmente não acredito. Pra quê? Sou a princesa da minha vida (quem mais?). E é com essa princesa que vou viver até o fim dos meus dias.
tiara colar
vestido farm
anel mary design
sapatilha maria bonita extra
bolsa new order
(foto luiza villarroel, quinta e última concorrente ao Prêmio Hoje Vou Assim Novos Fotógrafos)
Cenário: Palácio da Liberdade. Agradecemos a Brenda, Alex e Matheus, pela disponibilidade e delicadeza.








































Publicitária por formação. Escritora e cronista de moda por obra do destino. 






