Hoje Vou Assim | Cris Guerra

fevereiro23

12 Comentários

Uma das maiores habilidades de um bom vendedor é identificar com que tipo de consumidor ele está lidando. Conheço alguns que acertam na mosca em poucos minutos, mas infelizmente a maioria não tem esse talento.

A Clinique desenvolveu um sistema de identificação desse consumidor – de maneira direta e óbvia – que finalmente pode resolver a questão do atendimento e deixar os dois lados satisfeitos.

Em seus quiosques, as consultoras especialistas sempre tentam ajudar. Mas nem todo consumidor é igual e gosta desse tipo de abordagem. A solução? A marca agora oferece pulseirinhas com as quais as clientes se identificam de acordo com o seu perfil de compra.

Se você usa a pulseira rosa, já está avisando que quer ficar à vontade para pegar os produtos e explorar a loja sem que ninguém a siga. A pulseira branca indica que você quer ser atendida. Já a verde deixa claro que você quer, sim, ser orientada e receber sugestões.

A ideia, em princípio, pode causar certo estranhamento. Mas tem tudo para pegar, principalmente quando as clientes descobrirem o quanto a compra pode ficar mais confortável com isso.

E assim, pelo menos na Clinique, poderemos nos livrar de um tipo de vendedor que não saca nada sobre cada consumidor.

Eu já cataloguei alguns tipos e as penalidades adequadas para cada um deles:

O sombra. Aquele que acompanha o cliente em seu passeio pela loja, com olhos arregalados como os de uma coruja. Você tem vontade de pedir desculpas por estar ali, e fica com medo de ele partir para a agressão caso você resolva não comprar nada. Penalidade: indiferença. Finja que não o vê, isso acaba com ele.

O que-deixa-você-bem-à-vontade. Mas tão à vontade, que nunca mais aparece. Ao sair da loja, peça os contatos do gerente. Antes de dizer obrigada, sorria e olhe bem nos olhos dele: “Seu nome é?”.

O apegado ao cliente. É o-que-veste-a-camisa – em você. É entrar no provador e ele quase tenta entrar junto. E fica lá fora perguntando: “E aí, ficou bom? Quero ver, hein!” Uma pisada de pé cai bem.

O vendedor-com-legenda. A cada produto exibido, uma frase: “Essa tá linda. Essa aqui tá show.” Dê a ele a notícia: “Quero comprar uma roupa, não uma opinião”.

A vendedora antenada. É a mais bem-informada do mundo da moda. “Tá todo mundo usando calça flare, você TEM que ter uma!” Finja que vai sacar o cartão de crédito da bolsa e saque uma arma.

O batedor-de-metas. Você entra na loja para comprar uma camisa e ele pergunta se você não precisa de um-cinto-pra-usar-com-a-calça-que-você-vai-comprar-com-a-camisa. Bata nele antes que ele bata a meta.

Vendedora-atriz. Age naturalmente EM QUALQUER CIRCUNSTÂNCIA. Você pergunta o preço e ela não altera a expressão. “Dois mil oitocentos e setenta e nove. Aproveita que tá na promoção”. Três tiros.

Talentosa mesmo é a vendedora-confidente. Entre um desabafo e outro, o total você divide em seis vezes sem juros. E ainda sai convencida de que seus problemas estão resolvidos. Nesse caso, a penalidade quem paga é você, em suaves parcelas na fatura do cartão.

Clinique: Service as you like It!

Via Update or Die

12 Comentários

  • Comentário por Lilian — 23/02/2012 @ 20:35

    Hehehehe….adorei!!

    P.s.: Obrigada por responder meu comentário de ontem.
    Não vai lembrar, mas não tem problema. Gosto mesmo é do seu compromisso com o Blog, aliás, é por isso que da certo, né?!?!!

  • Comentário por cynthia — 23/02/2012 @ 21:08

    bem já fui vendedora…

    antes disso, poderia até categorizar os atendimentos dos profissionais desta forma: o chato, o sombra, o com legenda…

    Ao invés disso, hoje vejo mais categorias de clientes. Minha educação não me deixa comentar….

    As pessoas muitas vezes não sabem, mas cada vendedor tem sua vez na loja. E quando entram na loja para dar aquela olhadinha, o vendedor fica ali, com vc e nao pode atendender mais ninguem.
    É regra de quase 90% das lojas.
    Então por isso existe: o sombra, o chato, o que tem legenda, o atenado, o apegado, a atriz, o confiante e o batedor de metas…. Ele está ali, com você, independente da sua vontade ou da dele. Claro que ele deve colocar sua prenseça da melhor forma, proporcionar uma boa experiencia para cada um que entra na loja mas, comercio não é instituição filantropica… não é ong sem fins lucrativos… o objetivo é venda.

    Faço a seguinte comparação: imaginem-se sentados em seus escritorios, trabalhando… de repente chega alguem e começa a mexer em todos os seus papéis, procurando algo. Vc se oferece para ajudar, não quer fazer bagunça no seu espaço de trabalho, mas em resposta… nem mesmo uma resposta. A bagunça continua.. papeis atirados ao alto todo o tempo. Ao fim de alguns minutos, a pessoa se retira da sala, deixando pra trás, você, com a bagunça e sem respostas.

    Anseio pelo dia em que os consumidores entandam que o papel do vendedor é estar ali mesmo… é um trabalho que merece o respeito como todos…

    e que os vendedores que ainda vivem nessa bolha do atendimento robotizado, consigam romper essa redoma e que passem a exergar o resultado que um atendimento personalisado e sem stigmas pode render.

    muito além das pulseiras brancas, rosas ou verdes…

  • Comentário por Cris Guerra — 23/02/2012 @ 22:19

    Ei Cynthia! Eu imagino que não deve ser fácil. Ser vendedor é uma arte, isso sim. E acho que devem existir vários tipos de compradores também, e não apenas os categorizados pelas pulseiras. Eu, que já comprei muito na vida, tenho muito respeito pelos bons profissionais de vendas, e toda essa brincadeira que faço aqui passa longe da minha forma de lidar com esses que estão por trás do balcão, sejam eles bons de venda ou não. Sempre tento me colocar no lugar do vendedor e acabo fazendo amizade com muitos deles. Acontece que no Brasil, muitas vezes, ser vendedor é resultado de falta de opção, e não de escolha. E a maioria dos vendedores, infelizmente, não sabe conquistar o consumidor – e muitos deles demonstram uma má vontade impressionante. Concordo que tem muito comprador mal educado também. Mas o cara que é bom de venda sabe engolir uns sapos de vez em quando (coisa que é inerente a toda profissão) e entende que a conquista do consumidor não é a curto prazo, e sim um caminho mais longo e mais cheio de manhas. Os vendedores que me conquistaram ao longo da minha vida comprando roupas são justamente os que não me empurravam para a compra, e sim os que estabeleciam uma relação de cumplicidade comigo, no sentido de conseguir realizar o meu desejo de compra de tal forma, que a minha volta seria inevitável. São estes os artistas da venda que ganham o meu respeito para sempre. Um beijo.

  • Comentário por Ana — 24/02/2012 @ 09:28

    Esse é um assunto delicado. Mas eu concordo com o post da Cris.
    Eu só compro jeans de uma marca em uma loja só há anos, me sinto em casa graças as vendedoras, que ja entraram e saíram ao longo desse tempo. Pareciam adivinhar o que eu queria e me deixavam experimentar a vontade, sem cara feia (o que é raro), Acabava por entrar para comprar uma peça e saia sempre com duas ou mais.
    Mesma coisa na loja de departamentos em BH onde compro perfume, nem me importo se é um pouco mais caro que nos outros lugares, o atendimento compensa, e muito.
    Mas ontem por exemplo, fui em uma sapataria, decidida a comprar duas sapatilhas e um tênis, o vendedor não demonstrou vontade de atender, depois de dez minutos na loja só olhando sem ninguem me atender, pedi pra ele trazer três modelos com minha numeração e ele só trouxe um e alegou que o resto estava perdido. Quem perdeu foi eu, meu tempo que é corrido e minha vontade de voltar na tal loja!
    E uma coisa que também acontece e é muito desagradavel, o vendedor te atender bem ou mal conforme a forma que você está vestido.

  • Comentário por paula — 24/02/2012 @ 18:40

    Com certeza não é fácil ser vendedor, mas toda profissão tem sua dificuldade.

    O que irrita a muitas consumidoras é o fato de o vendedor não entender que o desespero dele em vender produtos apenas o atrapalha.

    Não concordo com a comparação feita pela Cynthia. Se alguém entra no meu escritório, bagunça minhas coisas e vai embora, com certeza não tem nada a ver com o trabalho para o qual sou paga, ao contrário do caso do vendedor.

    No meu caso, que sou advogada, a dificuldade do trabalho está no processo que some, no funcionário sem educação do fórum, no estagiário que não fez um protocolo, no cliente que não levou os documentos, etc. E essas situações não justificam um trabalho mal realizado.

    Da mesma forma como aguenta essas coisas, o vendedor tem de saber lidar com o cliente que apenas entra na loja para dar uma olhadinha.

  • Comentário por Mariah — 24/02/2012 @ 18:58

    Tema super polêmico. Não conheci ainda aquela pessoa que escolheu ser vendedor, gari, técnico de enfermagem, e outras tantas profissões que poderia listar aqui, não que sejam menos dignas, mas, sendo sincera ninguém escolhe por amor, por identificação. É pura sobrevivência.

  • Comentário por Amelí — 24/02/2012 @ 19:36

    Desses todos, me incomoda mais a “Vendedora Antenada” e ri muito com a recomendação do que fazer nesse caso! As outras descrições são perfeitas!
    Eu sei que o assunto é sério e já passei por algumas situações complicadas por causa disso, por isso acho que a idéia das pulseiras é excelente, porque a cada loja eu quero um atendimento diferente!
    Ah: compartilhei o link no facebook, ok?
    Bj,
    Amelí

  • Comentário por Mariene — 24/02/2012 @ 21:24

    Nossa, li no face de minha querida Amelí, fiquei muito interessada neste novo procedimento! Pode ser divertido trocar de pulseiras em determinadas lojas, a gosto! Adorei tudo

  • Comentário por Jéssica — 25/02/2012 @ 14:32

    Discordo, Cyhthia. Quer dizer que a compradora não pode mexer nas prateleiras para não dar trabalho às vendedoras?

  • Comentário por Valéria — 26/02/2012 @ 09:01

    Ola, achei bem engraçado algumas identificações de vendedores. A minha preferida é ” todo mundo está usando”…aí sim que não compro, não sou todo mundo…
    Aqui em Floripa o caso é complicado. As vendedoras (infelizmente são as mulheres) atendem mal, te olham de cima a baixo e se acham as “donas” das lojas. Julgam muito pelas aparências.
    Um bom exemplo é uma loja famosa de calçados no shopping Beira Mar, que fica perto da minha casa. Faço aposta com todos os meus amigos que posso entrar, mexer em tudo, experimentar e nem um ser vem me atender. Sempre ganho. É triste…e nem quero pensar que o fato de ser negra tem a ver…prefiro acreditar que são pessoas sem preparo.

  • Comentário por Cris Guerra — 27/02/2012 @ 10:37

    Valéria, que absurdo isso. Não dá um pouco de raiva na gente? Poxa, é a profissão delas. Tem aquela cena clássica do filme “Uma linda mulher”, que ilustra bem o que acontece sempre. Nunca me esqueci que uma vez saí da minha aula de Tae Kwon Do (eu tinha 23 anos) de quimono e havaianas, entrei numa loja de carros da Ford pra conhecer o novo Fiesta (na época) e simplesmente fui muuuuuuito bem antendida. Tão bem atendida, que resolvi trocar meu carro, coisa que eu não pretendia quando entrei na loja. Fica a lição… Também prefiro acreditar que é por falta de preparo, mas uma falta de preparo que prejudica as próprias vendedoras, não é mesmo? Ai, que tristeza. Fico com vontade de gritar quando vejo isso!

  • Comentário por Patrícia — 27/02/2012 @ 11:55

    TEM QUE SER COPIADA ESSA IDEIA DAS PULSEIRAS. O CLIENTE TEM O DIREITO DE DECIDIR COMO QUER SER ATENDIDO!

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