
Certas expressões são tão corriqueiras, que raramente paramos para analisá-las de perto. Quer um exemplo? Algo que a gente ouve toda hora quando alguém vai falar sobre tendência de moda: “as saias lápis vão ser as vedetes da estação”. Como diria o Didi Mocó: “Cuma?” Eu ouvi isso mesmo?
A palavra vedete era muito usada nos anos 40 e 50, para designar a mulher que cantava e dançava nos teatros de revista – um gênero teatral da época em que ser atriz não era só interpretar, mas principalmente dançar e cantar. Se você tem menos de 40 anos, pode achar que estou falando grego. Quer alguns exemplos de vedetes? Carmem Miranda, Wilza Carla, Dercy Gonçalves.
Agora imagine essas mulheres usando saias lápis e dançando no teatro de revista.
A gente busca tanto atualizar o guarda-roupas, ávidas por novidades nas passarelas a cada mês, que acabamos esquecendo de atualizar a linguagem também. E isso é de uma incoerência que não combina.
Pessoas que chamam uma tendência de moda de vedete da estação estão mais por fora do que umbigo de vedete – outra expressão daquele tempo, porque umbigo de fora hoje em dia é café pequeno perto do que a gente vê na TV.
Opa, lá vou eu frequentando o vocabulário vintage mais uma vez.

Publicitária por formação. Escritora e cronista de moda por obra do destino. 






