Tudo indica que a culpa é do bilionário norteamericano Howard Hughes, que em 1945 teria desenhado o famoso sutiã meia-taça para a atriz Jane Russel, com o argumento de que os modelos da época não estavam à altura dos seios da atriz.

Hughes desenhou o meia-taça usando seus conhecimentos como engenheiro de aviação. O artefato só poderia mesmo ter sido desenhado por um homem. As mulheres, claro, passaram a usar, como usam outras aberrações até hoje: saltos altíssimos, saias com as quais não se pode dar um passo e outros absurdos que provam que o mundo se divide entre as pessoas que se libertam com a moda e as que se aprisionam ainda mais.
Hoje eu quero fazer um manifesto contra o sutiã meia-taça. Um manifesto sincero e magoado, principalmente para as confecções de lingeries, que só pensam nas mulheres peitudas – ou nas que querem parecer peitudas. Não é possível que não existam outros modelos para nos fazer sentir sensuais. Toda vez que eu uso um meia-taça, o mau humor domina o meu dia. E eu só descubro a razão quando chego em casa à noite e finalmente me livro da peça. Eu não tenho esse peso todo que precisa de contenção em barbatanas de arame. Eu não tenho essa vontade toda de ter seios grandes. E muitas mulheres são como eu.

O sutiã meia-taça é descendente direto do espartilho. Inventado por um homem, venerado pelos homens, para muitas ele é uma ode ao desconforto e o símbolo-master da ditadura do peito grande. Lojas de roupas íntimas, atendam ao apelo das minorias menos favorecidas: meia-taça no peito dos outros é refresco. Queremos outras boas opções. Nem toda mulher precisa ser Fafá de Belém pra ser feliz. Mas poucas têm peito pra assumir isso.


Publicitária por formação. Escritora e cronista de moda por obra do destino. E modelo uma vez por dia.


