Nem bem a São Paulo Fashion Weed começou e eu já tinha o meu desfile predileto!
Não li o release da Animale antes do desfile, por isso não me prendi à inspiração da estilista Priscilla Darolt ao criar a coleção de inverno desfilada ontem, abrindo a São Paulo Fashion Week. Mas no terceiro minuto do desfile já tive aquela impressão gostosa de que nada do que viria depois dele seria melhor. Pura euforia de quem gosta de moda a ponto de querer entrar em cada roupa.
A Animale trouxe uma coleção de inverno fluida, com o caimento que estamos mais acostumados a ver no verão. Seda, transparências, bordados e brilhos em profusão, mas sempre com muito equilíbrio, falavam de uma elegância antiga que certamente é resultado de uma revisita aos anos 20, com vestidos de cintura mais baixa e a sofisticação dos bordados em tecidos menos rígidos. Uma coleção cujas peças sempre têm movimento, remetendo à beleza delicada de uma mulher sob os lençóis. A verdadeira sensualidade, que insinua mais do que revela, e que sugere as formas do corpo pela maneira como o tecido cai sobre ele.
Quando o veludo entrou em cena, pareceu uma quebra na unidade da coleção, porque ele apareceu em tons de bordô que se desdobravam do vermelho rubi ao vinho, passando pelos ocres, mostardas, beges que acabavam dourados. E então tudo foi se harmonizando, já que o veludo ia se dissolvendo em delicados devorês que se comportavam como manchas sobre os vestidos de seda, em transições suaves que traziam surpresas a cada cor em que ele era aplicado.
Sabe quando um espetáculo deixa uma sensação de alegria na plateia?
Nem foi tão importante a falta da linda Raquel Zimmerman, substituída pela inglesinha Rosie Huntington-Whiteley, considerada a mulher mais sexy do mundo no ano passado pela revista Maxim. A escolha faz jus ao clima do desfile: ultrafeminino, provocando na plateia de mulheres o desejo de exaltar essa feminilidade.
Só depois é que fui saber que a inspiração da Animale veio dos czares russos. Interessante é isso: o estilista se inspira num determinado tema ou imagem, mas o que importa mesmo é o resultado. O objetivo é fazer uma bela coleção, dessas que a gente quer usar no minuto seguinte. E nesse quesito, a Animale fez o dever de casa com louvor.






















































Publicitária por formação. Escritora e cronista de moda por obra do destino. 
